Imagina consumir um produto que foi desenvolvido, testado e aprovado por especialistas. Imaginou? Agora, pensa nesse produto em sua mesa, com garantia de qualidade e o melhor, feito por gente aqui do Piauí, da sua terra. Por ano, dezenas de projetos são desenvolvidos nas universidades em todo o País e aqui na Universidade Federal do Piauí (UFPI) não é diferente. Infelizmente, muitas dessas pesquisas não saem do papel.

Mas, para fazer com que esses produtos cheguem ao seu destino final, ou seja, o consumidor, é preciso seguir alguns protocolos. E foi isso que a pesquisadora e especialista na área de gestão empresarial e propriedade intelectual, Maria Rebello, criou durante sua pesquisa de mestrado.

“Meu trabalho visa elaborar um e-book para o lançamento de um produto funcional no mercado, que é o pão de queijo adicionado com farinha de feijão caupi, que já é uma pesquisa e produto desenvolvido pela UFPI. A pesquisa faz uma análise dos ativos intangíveis, que é a marca e a patente deste produto, e um protocolo para lançar no mercado, que é a elaboração do modelo de negócio, do plano de negócio, entre outros”, disse.

Utilizando como ponto de partida um produto desenvolvido na UFPI, Maria Rebello enfatiza que sua pesquisa representa um grande ganho, tanto para a universidade e outras pesquisas que possam surgir, como para a população em geral.

“A maior relevância deste trabalho é que o público utilize este manual e adapte a sua realidade para poder lançar outros produtos no mercado. Dessa forma, ganha a universidade, porque terá os produtos sendo consumido, ou seja, sendo criados e ganhando o mercado; o mercado, porque irão surgir inúmeros produtos cheios de inovação que trarão benefícios para a sociedade, e o comércio, porque terá mais dinheiro circulando”, enfatiza a pesquisadora.

A professora-orientadora da UFPI, Regilda Saraiva dos Reis Moreira Araújo, Pós-doutora em Nutrição, comenta que o trabalho realizado por Maria Rebello permite que outros pesquisadores coloquem em prática o que é desenvolvido na universidade, fazendo com que esses produtos cheguem até o público-alvo.

“Nós pesquisamos muito na academia, mas, para atingir o objetivo, os trabalhos precisam chegar até a população, ou seja, ao mercado. Trabalhar com um produto regional, como o feijão caupi, fazer com que ele chegue ao público, permitindo que seja consumido em diferentes formas, como a farinha; e levar essas informações em forma de e-book é uma forma de tirar esses projetos da gaveta, do laboratório e chegar no mercado. Essa é uma pesquisa de inovação, e essa criatividade deve chegar a quem é de interesse, para que as pessoas tenham opções de consumo”, conta.

O e-book deverá ser disponibilizado na biblioteca virtual da Universidade Federal do Piauí, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e outros programas parceiros para o público.

As vantagens da pesquisa para o mercado consumidor

Como Maria Rebello ressaltou, o objetivo de sua pesquisa é lançar um produto desenvolvido na UFPI no mercado com auxílio de um livro digital, no qual será apresentado um protocolo para lançamento de alimentos funcionais, tornando-os acessíveis ao público.

Para isso, foi escolhido o pão de queijo, por ser um produto consumido em todo território nacional, assim como o feijão-caupi, grão amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste e disponível durante todo o ano. O resultado dessa junção foi um pão de queijo com inúmeros benefícios, especialmente na quantidade de ferro. Este produto foi testado e aprovado durante o estudo que o desenvolveu.

“A universidade desenvolve produtos continuamente, em diversas áreas, e, apesar dos inúmeros benefícios que têm, poucos chegam ao mercado, seja pelas dificuldades ou pelas burocracias. A ideia de criar esse protocolo é para lançar o pão de queijo adicionado de farinha de feijão-caupi no mercado. Inclusive, usamos informações do trabalho desenvolvido e submetemos ao Programa Centelha, que é um projeto nacional, e o Estado do Piauí participou, e vai financiar projetos inovadores. Nosso projeto foi aceito para receber capacitação, recurso financeiro e suporte para iniciar”, disse Maria Rebello

A professora Regilda Saraiva argumenta também que todo produto precisa de uma marca para ser reconhecido e disponibilizado para consumo. “Levar um produto para o mercado é um caminho para conseguir que as pessoas saiam do amadorismo e valorizem os produtos que elas têm. Na academia, nosso objetivo é fazer ciência e fazer com que esse conhecimento chegue a quem necessita. Para esse produto chegar até as pessoas, ele precisa estar nas prateleiras, ter uma marca, estar cadastrado, ter as informações nutricionais, entre outros”, comenta.

Quem é Maria Rebello?

Maria Ribeiro de Mello Rebello possui graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Piauí e especialização em Contabilidade Gerencial. Possui experiência na área de Contabilidade, Gestão da Inovação, Pesquisa, Gestão Empresarial e Propriedade Intelectual. Ela também é sócia-diretora da Companhia das Marcas, empresa piauiense que atua há seis anos na área de consultoria e assessoria especializada em registros de marcas, patentes e direitos autorais.

A pesquisadora foi a primeira discente do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT®) a defender sua dissertação e a primeira a receber o título de Mestre nesta área de pesquisa pela UFPI.

Para Maria Rebello, concluir o mestrado foi mais um desafio em meio a tantos. “[A pesquisa] tem um impacto porque eu trabalho nessa área há muito tempo e o mestrado é um nível a mais de formação. É um reconhecimento de dois anos. É um título acadêmico difícil de ser conseguido”, enfatiza.

A professora Regilda Saraiva destaca a determinação de Maria Rebello e a contribuição que seu trabalho traz para a comunidade acadêmica. “Ela é a primeira aluna a defender esse mestrado na UFPI. Uma mulher recebendo esse título é maravilhoso, especialmente nessa área que é muito procurada”, complementa a orientadora.

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