As invenções têm um papel muito importante para a sociedade, especialmente quando são voltadas para a área da Saúde. Pensando nisso, o médico piauiense Ary Oliveira Pires, especialista em medicina nuclear, inventou um equipamento que detecta tumores malignos. O aparelho ainda é um protótipo e está sendo melhorado, mas tem grande potencial para revolucionar a medicina e salvar vidas.

Batizado de Detector Ionizográfico, a criação foi a defesa do doutorado de Ary Pires, construída em parceria com o pesquisador Helton Gírio Matos. O aparelho foi patenteado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), já percorreu o Brasil e ganhou prêmios.

Para contar mais sobre essa invenção, nós, da Companhia das Marcas, conversamos com o médico Ary Pires, que nos revelou mais sobre sua criação.

Companhia das Marcas: Dr. Ary, nos conte porque o senhor decidiu criar esse detector portátil de tumores.

Dr. Ary Pires

Eu percebi que os exames de ultrassom dão informações somente da forma. No caso do câncer de mama, ele detecta o nódulo, mas não se ele é maligno ou benigno. A medicina nuclear sabe, então pensei “e se eu trouxesse informação da medicina nuclear para a ultrassom?”. Ou seja, se o ultrassom pudesse dizer que o paciente tem câncer e não somente nódulo? Seria uma informação a mais. Para fazer isso eu tive que desenvolver esse aparelho. E tem a questão financeira também. A medicina nuclear é cara e não é acessível, devido aos seus custos. Uma Tomografia por Emissão de Pósitrons Computadorizada (PET-CT), um dos exames mais avançados na detecção do câncer, custa em torno de R$5.700. Se você puder diminuir esse custo e colocar em uma exame de ultrassom, isso ajuda bastante.

C.M.: E como funciona esse aparelho? Como ele pode ser utilizado na detecção de um câncer? Pode agilizar o processo de detecção da doença e o início do tratamento?

A.P.

Esse aparelho é voltado para uma área mais localizada, como câncer de mama, por exemplo. Tudo aquilo que estiver mais próximo da pele pode ser investigado, como câncer de tireóide, de pele, linfonodos e outros. Existe uma distância entre detectar o nódulo e o paciente entrar do Sistema de Saúde para fazer o tratamento de câncer. Quanto mais rápido essa pessoa descobrir que tem câncer, mais chances ela tem de cura. Se for solicitado um exame, juntamente com o detector ionizográfico, o paciente já teria a informação para apresentar ao médico, se tem câncer, e já teria um diagnóstico ainda na primeira consulta. O tempo para começar o tratamento diminui e isso é fundamental em casos de câncer de mama, por exemplo. 

C.M.:  Quando o senhor pensou na ideia? Essa é uma invenção que já percorreu o Brasil. Quais os próximos passos?

A.P.: 

A ideia por trás do detector ionizográfico começou em 2006, por um acidente. Comecei a me informar, a fazer testes, e percebi que tinha algo importante em mãos. Esse aparelho foi desenvolvido 100% no Piauí, se for para o exterior ninguém sabe o que é o detector ionizográfico. Ele já foi divulgado no Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, em 2017, e está na 4ª Geração. Já ganhou dois prêmios nacionais no Salão do Inventor Brasileiro, em 2014 e 2017, e agora vamos instituir no Salão deste ano para ver se conseguimos o primeiro lugar para tentarmos, ano que vem, ir para o Encontro Mundial de Inventores. Agora temos que melhorar o sistema e mais pesquisa. Para ele ser comercializado, precisa passar por vários processos na Anvisa e com mais experiências em pacientes. 

C.M.: E como foi o processo para patentear sua invenção?

A.P.: 

A ideia começou em 2006, porém, só busquei a patente dele em 2014, quando dei entrada no registro de patente, mas como eu não tinha muita informação, não consegui concluir o processo. Em 2020, procuramos a Companhia das Marcas, toda a equipe nos ajudou e em menos de um ano já tínhamos a patente em mãos. O detector ionizográfico se encaixa em ‘novos métodos de diagnóstico’.

C.M: Dr. Ary, qual seu sentimento por saber que criou algo que pode mudar a vida das pessoas?

A.P.

Nós sabemos que temos algo importante em nossas mãos. Se você entender que o câncer de mama é um dos que mais mata no Mundo, você criar algo que pode diminuir o tempo, melhorar o tratamento e a sobrevida de um paciente com câncer de mama, é gratificante. É isso que motiva a gente a continuar em frente. Pode ajudar muita gente, diminuir o tempo de tratamento e reduzir custos. Se a gente conseguir desenvolver isso em um tempo mais curto possível, para a Saúde, com certeza vai ajudar muita gente

Leave a Reply