Muitos influenciadores começaram suas trajetórias sem grandes pretensões comerciais. Outros, já iniciaram almejando uma carreira e reconhecimento. A internet hoje é o maior palco para quem deseja ser um influenciador digital, devido ao seu grande alcance. Porém, quem usa seu nome ou imagem como marca, precisa ficar atento a alguns cuidados, ou isso poderá trazer problemas futuros.

Um influenciador digital constrói um nome através da sua imagem, do conteúdo que produz, por parceiros que se vincula, dentre outros fatores. Diante disso, podemos dizer então que ele é sua própria marca, que usa seu nome em campanhas publicitárias, em divulgação de serviços e até dá nomes a produtos, como maquiagens e roupas. Assim, nada mais justo do que resguardar o que é seu por direito.

“Ser um influenciador digital é considerado uma marca, pois através da sua opinião ele consegue influenciar um grande número de pessoas a consumirem um determinado produto e/ou serviço. Quando o nome dele torna-se uma marca, geralmente representado através de um logotipo, isso permite que pessoas e empresas se interessem em associar seus valores, desejos e preferências ao influencer”, explica o publicitário Arimatéia Quinto.

E é diante de tudo isso que se faz necessário o registro de marca. Afinal, assim como uma empresa, o influenciador digital também deve se preocupar em gerar conteúdo a seus seguidores. Esse material precisa ser confiável, especialmente na internet, onde as informações, muitas vezes, podem gerar confusão devido a falta de procedência. 

“Se o influenciador digital já tiver sua marca registrada, ele também estará protegendo a sua reputação, evitando que terceiros se aproveitem de seu nome para conseguir seguidores ou mesmo confundi-los. Vale ressaltar que, com a marca registrada, o influenciador digital proporciona maior credibilidade e profissionalismo ao seu trabalho, o que para as grandes marcas é o diferencial”, destaca Quinto.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) estabelece 45 classes de proteção de produtos e serviços, no qual o influenciador digital escolherá sua área de atuação (blog, sites, roupas, entre outros) e solicitará o registro de marca.

Por exemplo:

Se o conteúdo gerado pelo influenciador é referente ao seu canal no Youtube, o mesmo poderá registrar sua marca na classe que contempla os serviços de produção de vídeo.

Já se o influenciador possui roupas com o seu nome, ele poderá registrar a marca na classe de produtos de vestuário.

Fique atento a algumas dicas:

1) Ao registrar a marca com o nome próprio, deve-se comprovar o exercício da atividade que realiza, por exemplo: se for um influenciador que ajuda pessoas a terem uma vida mais saudável, este deverá enviar uma cópia das telas dos vídeos do seu canal no Youtube. 

Outras maneiras de comprovação de exercício de atividade são:

– notas fiscais de prestação de serviço; recibos, carteira de identidade profissional (geralmente emitidas por entidades de classe);

2) Deverá ser assinado um termo de consentimento de uso do nome como marca junto ao INPI. De acordo com a Lei da Propriedade Industrial, Art. 124, inciso XV, só é possível registrar nome próprio como marca se o interessado comprovar, por meio de documentos, ser o titular, herdeiro ou sucessor devidamente autorizado.

3) O influenciador digital não necessita ter uma empresa formalizada para registrar sua marca. Esse pedido poderá ser solicitado por meio de um protocolo utilizando o seu CPF.

4) Mesmo existindo duas pessoas com o mesmo nome, aquela que primeiro procurou proteger o seu nome como marca, junto ao INPI, terá o direito de explorá-la em sua área de atividade. Vale ressaltar que não há objeção em duas pessoas terem marca registrada com o mesmo nome, desde que atuem em áreas diferentes.

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